Eticamente Falando

Eutanásia

Vinheta

 

 

Comentário

 

Carlos Santos Velícia trabalhou como guia turístico durante toda a sua vida até que os seus problemas cardíacos e uma hérnia discal começaram a limitar a sua qualidade de vida. Os exames complementares de seguimento da hérnia acabaram por revelar um tumor de prognóstico muito desfavorável, com uma sobrevida média de alguns meses de vida.

A chamada que o hotel recebeu foi de um voluntário da associação Derecho a Morir Dignamente, uma associação sem fins lucrativos que acredita no direito à decisão de colocar termo à própria vida, em particular, em situações de deterioração irreversível e sofrimento insuportável.

Esta associação acompanha os seus sócios que decidem pôr termo à sua vida ao longo de todo o processo. Oferecem, por exemplo, um guia que inclui quais os componentes do cocktail letal a ser ingerido. No caso concreto de Carlos, dois dos voluntários acompanharam-no no seu quarto durante a ingestão dos fármacos, conversaram com ele até que adormeceu por volta das 13h40 do mesmo dia, permanecendo junto dele até deixar de respirar cerca de meia hora depois.

Com o objetivo de relançar o debate sobre a morte digna em Espanha, Carlos ofereceu-se para contar ao jornalista Juan José Millás a sua história, sendo que o relato da conversa entre os dois, encetada na véspera da morte do primeiro, foi publicado no jornal El País em Dezembro de 2010. Excetuando esta notícia, a morte de Carlos não foi notada em nenhum outro órgão de comunicação social.