Áreas de Atuação
Direitos Humanos e Ética Médica
Direitos Humanos e Ética Médica
A Área de Direitos Humanos e Ética Médica (DHEM) da ANEM nasce da convicção de que os Cuidados de Saúde devem ser humanizados, éticos e centrados na pessoa doente, assegurando o respeito pelos Direitos Humanos e a igualdade no acesso à saúde. Defende uma prática médica que valorize não apenas o conhecimento científico, mas também a empatia, a solidariedade e a justiça social, promovendo o envolvimento dos estudantes de Medicina em causas humanitárias e no apoio a grupos vulneráveis.
A sua missão passa por desenvolver competências humanísticas e formar futuros médicos conscientes da sua responsabilidade social e ética. A DHEM organiza projetos como as Cartas a Estudantes de Medicina e o Voluntariado Nacional em Férias, além de representar os estudantes portugueses em seio de SCORP, na IFMSA. Através dos Programas Nacionais de Humanização dos Cuidados de Saúde e de Ética Médica, a área reafirma o compromisso com uma medicina mais justa, digna e verdadeiramente humana.
Programas Nacionais
Humanização dos Cuidados de Saúde
O desenvolvimento da Medicina alterou a perspetiva de curar versus cuidar, encarando o doente em toda a sua complexidade quer individual quer interpessoal.
Somos mais capazes de prolongar a vida humana em termos de longevidade e de qualidade, criando-se uma conjuntura favorável a uma relação médico-doente cada vez mais satisfatória. No entanto, esta realidade conflitua com a necessidade de aumentar a eficiência e a produtividade dos cuidados prestados, inerente a um Serviço Nacional de Saúde gratuito, mas de recursos limitados.
Importa que sejam desenvolvidos esforços para capacitar os estudantes de Medicina para encarar, qualquer doente, como pessoa Humana, com respeito pela sua dignidade, com particular enfoque nas competências de comunicação. De igual forma, é necessário que se estimule os médicos a serem competentes e a defender assuntos relacionados com direitos humanos, incluindo desigualdade socioeconómica, justiça social e violência.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Ética Médica
Enquanto profissionais de saúde, é altamente provável que os estudantes de Medicina venham, no futuro, a encontrar-se em situações de conflito de princípios éticos e morais perante os quais terão de tomar uma decisão. Para a defesa do melhor interesse do doente, do Sistema e cumprimento das disposições legais, importa que os médicos sejam conhecedores destes princípios, das suas obrigações e tenham experiência prévia na resolução de conflitos.
É fundamental que os estudantes de Medicina estejam a par desta evolução e das discussões que permanentemente se encontram em cima da mesa, por forma a que possam tomar uma decisão consciente, ou até mesmo fazer parte do processo de decisão normativa.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra
Educação Médica
Educação Médica
A área de Educação Médica da ANEM orienta a sua ação através de quatro Programas Nacionais em vigor: o Programa Nacional de Promoção da Qualidade Formativa Pré-Graduada, o Programa Nacional de Formação Médica Contínua, o Programa Nacional para a Formação Médica Pós-Graduada e Profissionalização e, mais recentemente, o Programa Nacional de Promoção do Envolvimento Estudantil em Educação Médica.
O objetivo central da Área assenta na promoção da qualidade da formação médica em Portugal, com foco principal no ensino pré-graduado, através da identificação de lacunas e oportunidades de melhoria, da produção de estudos e materiais intelectuais e da definição de estratégias que contribuam para o reforço da qualidade pedagógica e da adequação dos currículos às necessidades atuais da prática médica.
Através de uma atuação colaborativa com estudantes, instituições de ensino e entidades representativas, a Área procura fomentar a inovação, a integração de metodologias centradas no estudante e a valorização do papel do futuro médico enquanto agente ativo na construção do seu próprio percurso formativo e no avanço da Educação Médica em Portugal.
Programas Nacionais
Promoção do Envolvimento Estudantil em Educação Médica
Nas Escolas Médicas, a densidade e exigência dos currículos frequentemente limitam a participação ativa dos estudantes na vida académica e no processo de melhoria contínua da sua formação. Contudo, o envolvimento estudantil é um pilar essencial para o fortalecimento da Educação Médica, promovendo a colaboração entre toda a comunidade académica e facilitando a adoção de metodologias de ensino centradas no estudante, como o Problem-Based Learning (PBL), Case-Based Learning (PBL) e Team-Based Learning (TBL), bem como de métodos de avaliação inovadores, como o Objective Structured Clinical Examination (OSCE), o Progress Test e o Portfólio/Logbook de Competências.
Neste sentido, este Programa Nacional procura capacitar a comunidade estudantil, promovendo o conhecimento e compreensão sobre o planeamento curricular, a integração de ferramentas de e-learning e de simulação digital, e incentivando a participação nos órgãos de representação e nos mecanismos de feedback intra e interinstitucionais.
Desta forma, fomenta-se uma cultura de participação ativa, co-criação de materiais intelectuais e partilha de boas práticas, reforçando o compromisso com a inovação, a qualidade pedagógica e a colaboração nas Escolas Médicas Portuguesas.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Promoção da Qualidade Formativa Pré-Graduada
A lacunas existentes na qualidade da formação pré-graduada devem-se aos mais variados fatores, desde as condições de ensino que diferem nas várias Escolas Médicas, à falta de investigação em Educação Médica com consequente falta de caracterização do seu estado atual e também a fatores externos, como a pandemia causada pela COVID-19 que veio dificultar a dispersão dos estudantes em ambiente hospitalar e consequentemente diminuir a oportunidade de praticar gestos clínicos.
Assim, torna-se pertinente e urgente aumentar a investigação em Educação Médica em Portugal quer pelos estudantes quer por outras entidades e refletir sobre as condições pedagógicas oferecidas por cada uma das Escolas Médicas, tomando medidas concretas como a definição de uma lista de consenso sobre as competências nucleares para um recém graduado em Medicina deve ter adquirido ao longo do curso, entre outras.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Educação para a Formação Médica Pós-graduada e Profissionalização
Ao longo do ensino pré-graduado, o estudante de Medicina recebe uma vasta formação de caráter clínico que o direciona para a prática clínica e o encaminha para a formação pós-graduada. No entanto, a sua vaga nesta não é garantida, pelo que tem vindo a aumentar a importância dada a outras saídas profissionais pelas quais o recém graduado também poderá optar. Ainda assim, apesar deste crescimento, estas são ainda desconhecidas pela maioria dos estudantes, em parte por não terem, praticamente, contacto com essas opções durante o curso.
Para além do desconhecimento em novas saídas profissionais, há também um desconhecimento sobre os trâmites exatos do acesso à formação especializada, sobre a Prova Nacional de Acesso e ainda sobre a classificação final de curso, a sua ponderação e normalização pelo que urge continuar a informar e esclarecer os estudantes nestas temáticas.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Planeamento da Formação Médica Contínua de Qualidade
A formação Médica inicia-se no ensino pré-graduado e prolonga-se para o pós-graduado, sendo este modelo designado por continuum medical education, de acordo com a AMEE (Association for Medical Education in Europe). É então evidente a necessidade de uma articulação constante entre os responsáveis pelo ensino pré-graduado, dado pelas Escolas Médicas, sob tutela do MCTES (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), e os responsáveis pela formação pós-graduada, dada por diferentes instituições sob tutela do Ministério da Saúde.
Atendendo ao facto de que a formação de um médico só termina com a obtenção do grau de especialista, apenas possível na formação pós-graduada, constata-se que, devido à desarticulação entre os números do pré e do pós-graduado, centenas de médicos ficaram impedidos de terminar a sua formação nos últimos anos. Este problema poderá ainda ser agravado, devido à diminuição progressiva das capacidades formativas pós-graduadas, resultantes do crescente desinvestimento nos recursos humanos e materiais do SNS.
Assim, emerge a relevância deste ser encarado como um problema multifatorial, cuja resolução passará necessariamente por uma ação conjunta de todas as entidades envolvidas, procurando-se estabelecer uma maior articulação entre as políticas do Ensino Superior e as políticas da Saúde.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Formação
Formação
No âmbito dos novos estatutos da ANEM, a Área de Formação rege-se agora por Programas Nacionais, aprovados em Assembleia Geral, encontrando-se vigentes o Programa Nacional de Educação Não Formal, o Programa Nacional de Formação Transversal, o Programa Nacional de Formação Científica Complementar e o Programa Nacional de Formação Clínica Complementar.
A Área de Formação da ANEM tem como objetivo oferecer aos estudantes de Medicina em Portugal oportunidades que vão além do currículo formal, preenchendo lacunas observadas nas Escolas Médicas. Através de Programas Nacionais como Capacitação de Pessoas Formadoras, Formação em Competências Transversais, Formação Científica Complementar e Formação Clínica Complementar, promovemos metodologias inovadoras, estágios práticos e competências transversais essenciais.
Estas iniciativas visam capacitar os estudantes para desafios multidisciplinares, como comunicação, liderança, investigação, prática clínica, entre outros.
Programas Nacionais
Capacitação de Pessoas Formadoras
Na perspetiva da intervenção na comunidade estudantil, existe bastante evidência de que as iniciativas que promovem a transmissão de conhecimento de forma horizontal e entre estudantes são um método eficaz de ensino e aprendizagem. Do mesmo modo, a capacitação de pessoas formadoras na comunidade estudantil revela-se também uma forma de participação ativa na comunidade civil. Ao promover a sua literacia em saúde, as pessoas formadoras facilitam a participação efetiva da comunidade civil nos cuidados de saúde, uma melhor utilização destes serviços, a uma diminuição dos comportamentos de risco e, consequentemente, a uma diminuição dos gastos em saúde.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Formação Clínica Complementar
Na formação médica pré-graduada não é possível conciliar, com plenitude, todos os conteúdos essenciais para se ser um Medical Expert em todas as suas competências, sendo importante, por isso, investir na formação complementar ao currículo durante todo o percurso académico. São diversas as causas que levam a que os estudantes identifiquem lacunas na sua formação médica. Tendo em conta o descrito, é notória a necessidade de advogar e criar mais oportunidades de formação clínica, tanto a nível curricular como extracurricular, através de atividades formativas locais e nacionais.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Formação Científica Complementar
A Investigação é um dos motores de desenvolvimento da Medicina desde a área científica até à clínica, sendo difícil dissociar a investigação de uma prática médica de excelência. Enquanto futuros médicos, é essencial o conhecimento da literacia científica para uma abordagem informada e fundamentada no cuidado dos doentes. Mesmo assim, em Portugal são poucas as Escolas Médicas que têm esta formação integrada no seu plano curricular, salientando a importância da existência de oportunidades extracurriculares nesta área dirigidas a estudantes de Medicina.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Formação em Competências Transversais
Num mundo atual onde a multidisciplinaridade, a especialização e a necessidade de informação e formação são essenciais à prática clínica, o currículo médico torna-se demasiado limitado para conseguir dar resposta a estas necessidades. Esta limitação pode advir tanto da limitação física inerente ao tempo existente para lecionar como da inadequação e desatualização dos currículos nas Escolas Médicas.
Nesse sentido, este programa vem colmatar a ação do currículo médico na formação médica pré-graduada.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Imagem e Comunicação
Imagem e Comunicação
A Área de Imagem e Comunicação da ANEM tem como missão criar materiais visuais para a Federação, alinhados com o Manual de Normas Gráficas. Atua nos domínios do Design, Tecnologia e Inovação, promovendo a sua aplicação na Medicina através de iniciativas dirigidas aos estudantes. Para além de sensibilizar a comunidade estudantil, desenvolve também conteúdos que visam reforçar a Literacia em Saúde Digital na população portuguesa.
Fomenta ainda a colaboração entre Diretores de Imagem das Escolas Médicas, através da partilha de boas práticas e conhecimentos. Estão atualmente em vigor dois programas nacionais: Tecnologia e Inovação na Saúde, e Design e Comunicação.
Programas Nacionais
Tecnologia e Inovação em Saúde
A Saúde, tal como qualquer outro sector da sociedade, está num contínuo e permanente processo de evolução, tendo de se adaptar, não só à própria população, como também evoluir e inovar no sentido de cumprir o princípio patente na Lei de Bases de Saúde “As tecnologias de informação e comunicação são instrumentais à prestação de cuidados de saúde, sendo utilizadas numa abordagem integrada e centrada nas pessoas, com vista à melhoria da prestação de cuidados de saúde, à salvaguarda do acesso equitativo a serviços de saúde de qualidade e à gestão eficiente dos recursos.” Assim, num universo em que a tendência social e cultural tende para um investimento na tecnologia, e com as implicações que tal poderá ter para a Saúde, vê-se como pertinente para a Federação explorar os conceitos de tecnologia no que às suas áreas de trabalho diz respeito.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Design e Comunicação
A área de Imagem é vista como um pilar da ação da Federação e é a frente do trabalho investido no design e comunicação. Considera-se que a principal oportunidade de intervenção neste âmbito decorre do aproveitamento do potencial que o design e a comunicação acarretam para o ensino médico, bem como para o bom desempenho da integridade visual da ANEM. O design não funciona apenas como disciplina da estética para matérias de divulgação, abordando muito mais além disso, nomeadamente a conceção de objetos e materiais do dia-a-dia. Na Medicina, o design poderá servir como o motor para solucionar alguns dos problemas com que os profissionais e estudantes da área de Saúde se deparam.
A criação de cursos de design aplicado à Medicina, o ensino de Design Thinking para estudantes de Medicina e até aulas de arte integradas no plano de estudos de algumas escolas médicas, são alguns dos exemplos da constatação de que o design assume uma particular importância no desenvolvimento da Saúde e no ensino dos futuros profissionais de Saúde. Deste modo, importa que Portugal acompanhe e inove neste tema, sendo para isso necessário a intervenção junto dos estudantes de Medicina, futuros jovens médicos, para que os mesmos possam providenciar aos utentes um serviço o mais funcional e adaptado possível às exigências impostas.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Mobilidade
Mobilidade
A Área de Mobilidade da ANEM constitui um dos principais elos de ligação à comunidade estudantil portuguesa, sendo para muitos o ponto de partida para o seu conhecimento da Federação. Através dos programas de mobilidade internacional que organiza, o seu foco principal passa pela formação dos estudantes de Medicina em competências clínicas e de investigação, colmatando eventuais lacunas no currículo médico, pelo desenvolvimento de profissionais de saúde sensíveis aos contextos socioculturais de diferentes comunidades e pela promoção da educação em saúde global
A Área de Mobilidade rege a planificação das suas atividades com base nos seus Programas Nacionais, aprovados em Assembleia Geral. Atualmente estão em vigor o Programa Nacional de Enriquecimento Académico de Estudantes em Mobilidade, o Programa Nacional de Educação em Saúde Global e o Programa Nacional para a Compreensão Intercultural.
Programas Nacionais
Enriquecimento Académico de Estudantes em Mobilidade
Os Programas de Mobilidade apresentam-se como oportunidades privilegiadas de crescimento pessoal e profissional, facilitando o acesso a instituições de elevado prestígio académico e permitindo o desenvolvimento de novas competências. Estas iniciativas apresentam-se, ainda, como importantes momentos de aprendizagem de competências transversais, tais como: comunicação, pensamento crítico, resolução de problemas e competências culturais. No âmbito das competências culturais, importa realçar a mobilidade estudantil como promotora de uma visão globalizada dos diferentes setores da sociedade, entre os quais a saúde. Tal deriva de um contacto próximo com culturas, sistemas de saúde, modelos de educação e vivências diferentes, algo que por vezes pode levar a uma dificuldade de adaptação, conhecida como “choque cultural”.
Reconhecendo a importância e impacto da mobilidade estudantil na Educação Médica e na preparação de profissionais de saúde, diversas organizações têm vindo a organizar e promover iniciativas neste contexto. No entanto, de modo a atingir os diversos objetivos supramencionados, importa assegurar uma elevada qualidade académica destes programas de mobilidade. Com oeste intuito, diversas entidades e estruturas estudantis criaram guidelines e recomendações que visam assegurar um nível basal de aprendizagem, preparação e crescimento associado a estas iniciativas.
Por último, importa realçar que a promoção da qualidade académica, através de sessões de capacitação, do correto preenchimento dos Handbooks/Logbooks, entre outras iniciativas, apresenta um relevante impacto no reconhecimento deste programas pelas Escolas Médicas.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Compreensão Intercultural
Na sociedade atual observa-se uma marcada e progressiva diversidade cultural, proveniente de taxas migratórias em padrão crescente e de uma potenciação e promoção global da mobilidade estudantil e laboral. Consequentemente, as sociedades são progressivamente mais multiculturais e requerem a aquisição de competências pessoais e coletivas que incentivam a tolerância e o respeito por diferentes culturas. Estas competências apresentam-se particularmente relevantes no que diz respeito aos cuidados de saúde, nomeadamente, no que concerne à prestação de cuidados dignos e centrados na realidade particular de cada indivíduo.
Na atualidade, ainda são identificadas inúmeras limitações ao acesso e qualidade de cuidados de saúde perante indivíduos de diferentes culturas, entre os quais se destacam a barreira linguística e a falta de conhecimento de profissionais de saúde sobre o contexto cultural e social das pessoas em questão. Consequentemente, diversas recomendações nacionais e internacionais têm vindo a incentivar a promoção e inclusão de “intercultural competence” na formação de profissionais de saúde. Tendo por base esta necessidade, tem sido uma preocupação das diferentes associações e federações estudantis promover a aproximação da comunidade estudantil médica a diferentes culturas e a pessoas de contextos socioculturais distintos.
O Programa Nacional em Compreensão Intercultural visa, assim, valorizar o impacto da aquisição de competências interculturais em futuras pessoas profissionais de saúde na humanização e na qualidade dos cuidados de saúde.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Educação em Saúde Global
A facilidade da mobilização geográfica, a expansão do comércio e as novas tecnologias de comunicação, integradas numa contínua evolução e interligação política, social e económica, são alguns dos fatores que contribuem para a globalização que se vive nos dias de hoje. Adicionalmente, verifica-se uma crescente mobilidade, decorrente do aumento dos fluxos migratórios, pelo que os problemas de Saúde tornam-se cada vez mais transnacionais. No entanto, as próprias avenidas pelas quais esta globalização de doença ocorre sugerem as conexões que, entre Nações e outras organizações e intervenientes sociais, são necessárias na abordagem à problemática identificada, realçando a imperatividade de uma visão global sobre a promoção da saúde.
O Programa Nacional de Educação em Saúde Global encara como prioritário o investimento abrangente e integrado na Educação em Saúde Global, quer através da sua inclusão no currículo médico, quer pela oferta de oportunidades de aprendizagem extracurriculares, quer pela exposição e discussão dos princípios orientadores da formação médica em Saúde Global, ainda por definir em território nacional, quer pela promoção do contacto interdisciplinar entre estudantes das várias áreas de saúde e outras relacionados. Esta deverá promover a compreensão da relação dos Determinantes Sociais da Saúde e da estrutura de vários Sistemas de Saúde com a possibilidade de acesso equitativo e universal aos Serviços de Saúde, assim como a compreensão do impacto do aumento da mobilidade internacional com a propagação de diferentes doenças e a necessidade de desenvolvimento de capacidades de comunicação com doentes de diferentes contextos culturais.Só assim se poderão equipar os futuros profissionais de Saúde com as competências necessárias para um melhor exercício da Medicina, num Mundo em crescente globalização.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Saúde Pública
Saúde Pública
A Área de Saúde Pública atua junto dos Estudantes de Medicina e da comunidade estudantil e civil no sentido de promover a informação, sensibilização e capacitação para diversas temáticas como promoção da saúde e prevenção da doença, saúde mental, sistemas de saúde, alterações climáticas, saúde planetária e sustentabilidade.
A sua principal missão é formar e inspirar os futuros médicos a tornarem-se verdadeiros agentes de Saúde Pública, incentivando-os a adquirir conhecimentos e competências que lhes permitam intervir ativamente nas suas comunidades, contribuindo para uma sociedade mais consciente, saudável e informada. Através de projetos e campanhas de âmbito nacional, esta área procura fomentar a responsabilidade social e o compromisso dos estudantes com a melhoria contínua da saúde pública.
Programas Nacionais
Promoção da Saúde e Prevenção da Doença
O Programa Nacional de Promoção da Saúde e Prevenção da Doença visa responder ao impacto crescente das doenças não transmissíveis, promovendo a literacia em saúde e a adoção de hábitos de vida saudáveis. Através de campanhas, formações e ações locais dinamizadas pelos Estudantes de Medicina, procura-se capacitar a população para escolhas mais conscientes, incentivando a prevenção e a promoção de estilos de vida equilibrados.
O programa aborda temas como alimentação saudável, atividade física, cessação tabágica, consumo responsável de álcool e saúde mental, reforçando o papel dos futuros médicos como agentes de mudança. Paralelamente, valoriza-se a vacinação enquanto medida essencial de prevenção e proteção da saúde pública, promovendo a informação fidedigna e o combate à desinformação. Assim, o programa contribui para uma sociedade mais informada, saudável e ativa na construção do seu próprio bem-estar.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Saúde Mental
A Saúde Mental é um pilar essencial do bem-estar e da qualidade de vida, influenciando a forma como pensamos, sentimos e agimos. Reconhecendo a sua importância, o Programa Nacional de Saúde Mental tem como objetivo promover a literacia em saúde mental, combater o estigma associado à doença e fomentar a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso a cuidados adequados.
O programa atua na sensibilização da comunidade estudantil e da população em geral para a importância de cuidar da mente com a mesma atenção dada à saúde física. São abordadas temáticas como a ansiedade, a depressão, o burnout e o suicídio, promovendo estratégias de autocuidado e empatia.
Entre os Estudantes de Medicina, o programa procura criar espaços de diálogo e apoio, encorajando uma cultura de bem-estar e equilíbrio. Assim, pretende-se capacitar futuros profissionais de saúde para reconhecerem sinais de sofrimento mental, cuidarem de si e dos outros e promoverem uma prática médica mais humana e consciente.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Impacto das Alterações Climáticas na Saúde e a Sustentabilidade
As alterações climáticas representam uma das maiores ameaças à saúde pública global, com impactos diretos e indiretos no bem-estar humano. O aumento das temperaturas, os fenómenos meteorológicos extremos e a poluição atmosférica contribuem para o agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, o surgimento de novas infeções, a insegurança alimentar e hídrica e o comprometimento da saúde mental.
Este Programa Nacional visa sensibilizar e capacitar os Estudantes de Medicina para compreenderem estes desafios e atuarem como agentes de mudança. Pretende-se promover hábitos de vida sustentáveis, a educação ambiental e a defesa de sistemas de saúde resilientes e sustentáveis.
Ao incentivar a formação e o envolvimento ativo dos futuros profissionais de saúde, o programa contribui para uma prática médica mais consciente, alinhada com os princípios da sustentabilidade e da abordagem One Health, que reconhece a interligação entre a saúde humana, animal e ambiental.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Saúde Sexual e Reprodutiva
Saúde Sexual e Reprodutiva
A Área de Saúde Sexual e Reprodutiva (SSR) da ANEM apresenta como objetivo orientador da sua ação a sensibilização e formação dos Estudantes de Medicina para a Saúde Sexual e Reprodutiva, nomeadamente Planeamento Familiar e Contracepção, Orientação Sexual e Identidade e Expressão de Género, Infeções Sexualmente Transmissíveis e Violência de Género.
Pretendemos desenvolver projetos e atividades que contribuam para tornar e capacitar os futuros médicos como indivíduos ativos e interventivos na sociedade, na promoção e atenção à Saúde Sexual e Reprodutiva dos indivíduos. Propomo-nos ainda a realizar atividades que permitam a interação entre os Estudantes de Medicina e a população geral, para que estes se tornem mais aptos para um futuro contacto com os seus pacientes sensibilizando a população com o intuito de a tornar mais informada, inclusiva e capaz de viver uma sexualidade saudável.
As principais atividades da Área são o SCORA X-Change (intercâmbio que versa sobre Saúde Sexual e Reprodutiva) o Safe&Fest (promoção da saúde sexual e prevenção da doença em festivais de verão) e a Estratégia Nacional de Educação para a Sexualidade, desenvolvida a par com os Associados.
Atualmente encontram-se em vigor: o Programa Nacional de Direitos e Saúde Reprodutiva; o Programa Nacional de Prevenção de Doenças e Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Contraceção; o Programa Nacional de Educação para a Sexualidade; e o Programa Nacional de Discriminação e Violência de Género.
Programas Nacionais
Saúde e Direitos Reprodutivos
A Organização Mundial da Saúde define a saúde reprodutiva como um estado de completo bem-estar físico, mental e social em tudo o que se refere ao sistema reprodutor, e não apenas a ausência de doença. Envolve a capacidade de viver uma sexualidade segura e satisfatória, de reproduzir (ou não) de forma livre e informada, e de aceder a serviços adequados para o exercício desses direitos.
Desafios históricos — como doenças dos sistemas reprodutivos, infertilidade e cuidados obstétricos — coexistem com preocupações emergentes, como saúde mental ligada à reprodução, desigualdades de acesso a serviços e crescente medicalização. A endometriose, por exemplo, afeta cerca de 10% das mulheres em idade fértil e é uma das principais causas de infertilidade, continuando subdiagnosticada e subinvestigada.
Em Portugal, os cuidados obstétricos enfrentam sérias dificuldades, com a carência de profissionais de saúde, envelhecimento da força de trabalho e dificuldades de gestão nos serviços de urgência. É urgente garantir cuidados de saúde materna de qualidade, universais e gratuitos — do pré-natal ao pós-parto — assegurando o cumprimento dos direitos reprodutivos em todas as fases da vida. A sustentabilidade destes serviços exige planeamento estratégico e valorização dos profissionais.
Por fim, uma abordagem verdadeiramente holística da saúde reprodutiva exige reconhecer e atuar sobre desigualdades persistentes. A mutilação genital feminina continua a ser uma realidade com mais de 200 casos por ano em Portugal. O acesso a métodos de interrupção voluntária da gravidez é desigual: em 2022, 4 em cada 5 mulheres nos Açores que desejavam realizar uma IVG tiveram de se deslocar a Lisboa. A ANEM defende uma resposta centrada na pessoa, na equidade e na justiça reprodutiva, como base de um sistema de saúde inclusivo.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Educação para a Sexualidade
A Organização Mundial da Saúde define a sexualidade como um aspeto central do ser humano ao longo da vida, que engloba o sexo, as identidades e papéis de género, a orientação sexual, o prazer, a intimidade e a reprodução. Esta vivência é moldada por fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais, históricos, legais e espirituais.
A educação para a sexualidade é uma componente fundamental da educação para a saúde, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. A ausência de informação adequada pode contribuir para comportamentos de risco, dificuldades na tomada de decisões, baixa autoestima, preconceito e desinformação. A educação sexual, quando compreensiva, continuada e adaptada à idade, promove competências para decisões informadas e saudáveis, potencia relações afetivo-sexuais equilibradas, previne infeções sexualmente transmissíveis e combate a violência sexual, o estigma e a discriminação.
Em Portugal, embora a Lei n.º 60/2009 estabeleça a obrigatoriedade da educação sexual em meio escolar, a sua implementação continua desigual e insuficiente. Muitas vezes limitada aos aspetos biológicos da reprodução, esta formação negligencia componentes fundamentais como os direitos humanos, o consentimento, a diversidade, a identidade de género e a igualdade. Esta lacuna compromete o impacto da educação para a sexualidade na promoção de saúde e bem-estar das comunidades.
Neste contexto, é essencial formar também os estudantes de Medicina para que, enquanto futuros profissionais de saúde, estejam preparados para abordar a sexualidade de forma empática, não discriminatória e baseada na evidência. Ainda hoje, muitos profissionais manifestam desconforto ou falta de preparação para falar sobre sexualidade com os seus doentes, reflexo das lacunas na formação específica nos currículos médicos.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Prevenção de Infeções e Doenças Sexualmente Transmissíveis (IST e DST)
As infeções sexualmente transmissíveis (IST) continuam a ser uma importante causa de morbilidade e mortalidade a nível mundial, afetando de forma desproporcional adolescentes e jovens adultos. O estigma e a desinformação permanecem barreiras relevantes à prevenção, diagnóstico e tratamento eficaz destas infeções. A educação para a sexualidade, reconhecida como um fator protetor, assume um papel central na capacitação da juventude, sendo considerada pelo Governo Português uma prioridade desde a implementação da Lei n.º 60/2009, que estabelece a sua aplicação em meio escolar.
Dados nacionais e internacionais demonstram a gravidade do problema: nos EUA, cerca de 50% das novas IST ocorrem entre os 15 e os 24 anos, e na Europa, registou-se em 2022 um aumento expressivo de gonorreia (48%), sífilis (34%) e clamídia (16%). Em Portugal, a vigilância destas infeções é ainda limitada, especialmente nos grupos mais jovens. Ainda assim, dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) mostram que, em 2022, foram notificados 804 novos casos de VIH, com maior incidência entre pessoas dos 24 aos 49 anos.
O VIH continua a destacar-se pela sua natureza indolente e pelas consequências a médio e longo prazo, como a redução da fertilidade, doenças fetais ou neonatais e neoplasias. A resposta nacional tem acompanhado os objetivos internacionais, estando Portugal alinhado com as metas do UNAIDS, e a eliminação da infeção está também integrada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 3).
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.
Discriminação e Violência de Género
A Violência de Género é uma grave violação dos direitos humanos, resultante de desigualdades estruturais de poder baseadas no género. Embora atinja pessoas de todas as identidades, continua a afetar desproporcionalmente mulheres e crianças. Em Portugal, segundo dados da APAV, 80% das pessoas sobreviventes de violência de género são mulheres, sendo o crime de violência doméstica o mais reportado. A violência sexual, muitas vezes silenciada e subnotificada, continua a ser uma realidade transversal, com falta de dados e de respostas adequadas às vítimas.
A Mutilação Genital Feminina é outra forma de violência de género com expressão em Portugal, devido à presença de comunidades migrantes oriundas de países onde esta prática é prevalente. Apesar de ilegal, a OMS considera Portugal um país de risco. Esta prática, geralmente realizada durante visitas aos países de origem, tem graves consequências médicas e psicológicas, afetando meninas em idades muito precoces.
A violência de género também afeta homens, particularmente em contexto de relações de intimidade. Entre 2021 e 2023, a APAV registou um aumento de 38,8% de homens vítimas de violência doméstica.
Pessoas LGBTQIA+ enfrentam níveis mais elevados de violência, exclusão e desigualdades em saúde. São particularmente afetadas por crimes de ódio, violência familiar e discriminação no acesso a cuidados de saúde, especialmente pessoas trans. Apesar da existência de estratégias nacionais como a Estratégia de Saúde LGBTI da DGS, continuam a existir lacunas na formação dos profissionais de saúde. Um levantamento realizado pela ANEM em 2024 evidenciou a falta de capacitação para abordar questões de saúde LGBTQIA+, contribuindo para a perpetuação de estigma e discriminação em contexto clínico.
Consulta AQUI o Programa Nacional na íntegra.

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